22.9.12

Mais um final

Ainda sinto um carinho enorme por ti, é verdade. Mas acho que é resultado de tudo que a gente viveu, afinal a gente viveu.
Insistem para que eu continue falando de você e das coisas que nos aconteceu. Por um bom tempo me perguntei se alguém ia me entender como você me entendia, mas cheguei a conclusão de que se um dia você teve a oportunidade de me conhecer, outro também teria. Você sabe, não costumo me arrepender. Não me arrependo da nossa história, mas também não voltaria atrás, sei que cometeria os mesmos erros, e acho que saber isso é o suficiente. Valeu como experiência, valeu a experiência, mas acabou e eu estou satisfeita assim.
Obrigada pelos bons momentos, foram poucos mas serão deles que eu vou tentar lembrar quando mais alguém te intrometer em assuntos meus. Você não é mais problema meu, e assim que eu penso diante do fim, aliás nem lembro da gente ter tido um começo definitivo.
Você disse uma vez que nosso tempo tinha acabado, mas sinceramente acho que esse tempo nunca existiu, a gente o imaginou e como uma alucinação, fizemos dele real.
E como uma droga, você com todo o seu efeito alucinógeno, me deixou sequelas, nem todas negativas, nem sempre positivas, com cicatrizes profundas e uma boa dose de realidade. 
Já fiz outros textos, com outros finais e todos tiveram a ver com você, nenhum deles foi realmente o fim, nem mesmo você foi o meu fim, como eu imaginei que seria, mas esse é o último, afinal acabei de me recomeçar, para que assim pudesse criar outros começos, figurativamente sem pontos, para que assim não tivessem a ver com você.

10.9.12

Cabe ao homem compreender que o solo fértil onde tudo que se planta dá, pode secar. Que o chão que dá frutos e flores, pode dar ervas daninhas. Que a caça dispersa e a terra da fartura, pode se transformar na terra da penúria, da fome e destruição.
O homem precisa entender que de sua boa convivência com a natureza, depende de sua subsistência, e que a destruição da natureza é a sua própria destruição. Pois a sua essência é a natureza, a sua origem e o seu fim.

mensagem final de último capítulo da novela "Amor Eterno Amor".

13.8.12

A que te fazia feliz

Essa noite eu vi o futuro, e no futuro você era feliz.
Eu não estava perto, aliás toda essa distância -além do tempo- te impedia de me ver.
Mas você estava feliz, nada te impedia, pelo contrário... Eu vi você rir com as piadas dela, sorrir quando ela chegava em casa, deitar ela no seu colo e mexer nos seus cabelos, e isso tudo me aterrorizava.
Mas alguma coisa ruim aconteceu, e ela a que te fazia feliz, simplesmente desapareceu. Nenhum sentimento previsível de felicidade me tomou, e como num filme eu só queria saber a próxima cena. Um cemitério, gramado e enorme, árvores distantes, estranhamente me parecia familiar, como se fosse casa. Você estava de preto, não era incomum pois você gosta de roupas escuras, mas naquela situação sim, um funeral, talvez o dela, a que te fazia feliz. Você desviou o caminho que todos seguiam e foi em direção à uma das lápides, as flores que você estava segurando deixou delicadamente na grama, murmurou algumas palavras, impediu algumas lágrimas de caírem e quando se levantou, pude ver meu nome. Não houve desespero ao ver que em baixo lapidaram "saudades", mas houve um aperto e esse aperto me fez acordar. Temi a verdade e só queria te ter ao meu lado, mas a verdade é que você preferia estar ao lado dela, a que te fazia feliz.

8.8.12

Talvez eu te ligue

Um dia desses talvez eu te ligue, pra dizer que estou me maquiando mais, e minhas unhas estão sempre feitas, não choro tanto quanto antes, e a fronha do meu travesseiro anda cheia de embalagens de chocolate. Talvez a gente marque de se encontrar e eu te apresento meus novos amigos, te provo que minhas notas estão melhores, sei lá. Um dia desses talvez eu te ligue.

18.7.12

Romance


Ficaria mais atraente se eu o tornasse mais atraente. Usando, por exemplo, algumas das coisas que emolduram uma vida ou uma coisa ou romance ou um personagem. É perfeitamente lícito tornar atraente, só que há o perigo de um quadro se tornar quadro porque a moldura o fez quadro. Para ler, é claro, prefiro o atraente, me cansa menos, me arrasta mais, me delimita e me contorna. Para escrever, porém, tenho que prescindir. A experiência vale a pena, mesmo que seja apenas para quem escreveu.


Clarice Lispector


nota: Estou lendo o livro da Clarice Lispector por isso meus últimos dois textos foram dela, mas já estou preparando um texto pra vocês leitores, obrigada pela visita.

15.7.12

A experiência maior


Eu antes tinha querido ser os outros para conhecer o que não era eu. Entendi então que eu já tinha sido os outros e isso era fácil. Minha experiência maior seria ser o outro dos outros: e o outro dos outros era eu.
Clarice Lispector

13.7.12

Uma questão de simetria


Um pingo de água quando toca uma folha vazia, de algum modo toca os dois lados desta mesma folha. Então já se pode ver que em nenhum dos lados todas as linhas se alinham, o que a faz deixar de ser simétrica, passa ser transparente.
Uma verdade ao tocar uma pessoa, toca esta pessoa dos seus dois lados (ou três, ou quatro...). Então qualquer um vê, que nem tudo condiz. Nem mesmo esta pessoa consegue distinguir seus lados. O que a faz deixar de ser simétrica, passa ser transparente.

28.6.12

A verdade é que ...

Antes de ontem, quando você chegou e eu já estava deitada, você foi jantar. Não tinha sido eu que fiz mas, fiquei lembrando de quando a gente ia pra cozinha juntos e fazíamos a nossa janta, e queimávamos o nosso arroz.
Então eu fiquei te esperando, esperando você chegar mais cedo, esperando o beijo repetitivo de "oi", esperando um pedaço de mim, esperando o "nós".
Ontem eu fui pra cozinha, lembrando ainda da gente enquanto fazia a janta, desejando que você chegasse mais cedo de novo só pra gente jantar junto e eu ouvir você falar o quanto a comida estava boa, ou não. E eu fiz sua comida preferida, mas você não chegou na hora do jantar. Eu fui deitar, ouvi a porta abrir, ouvi e vi pelo espelho você silenciosamente se servir da sua comida preferida, mas você estava sozinho, e eu não ouvi você me elogiar.
E a verdade é que, foi eu que fiz o jantar, e eu fiz pensando em você, e você não chegou em casa mais cedo pensando em mim. 
E a verdade é que eu me preocupo e você não, e a gente brigou e foi eu que pedi desculpa de novo.
E a verdade é que já passou da hora de acabar, não é mais necessário, mas também é verdade que eu ainda te amo e sei que vai doer. Então eu prefiro que seja em frente do que enfrente, que de machucado já basta o meu coração.

20.5.12

Só um pássaro

Certa manhã, um pai em sua idade avançada descansava em seu jardim junto ao seu filho já adulto que lia um livro ao seu lado.
O pai quebrando o silêncio pergunta ao filho, "O que é isso?", forçando a visão em algo que estava a poucos metros deles; o filho responde, "Um pássaro, pai". Passado alguns minutos o pai pergunta, "O que é isso?", forçando a visão no mesmo foco, o filho responde, "Um pássaro". Passado mais alguns minutos o pai volta a perguntar, "O que é isso?", o filho já impaciente responde, "PAI JÁ DISSE, É UM PÁSSARO".
O pai levanta, entra em casa e volta com um caderno em mãos, abre em uma página e lê em voz alta ao filho:


"20.05.1990


Querido Diário, hoje estava no jardim de casa com meu menino, e com 2 aninhos ele disse suas primeiras palavras. Apontando para um pequeno pássaro ele perguntou "O que é isso?" 17 vezes, e todas as vezes, paciente, com um sorriso no rosto e orgulhoso, eu respondi "Um pássaro, meu filho".
Querido Diário, eu só tenho a agradecer pelo dia de hoje, meu menino está crescendo e eu tenho a certeza de que será um ótimo homem um dia."

14.5.12

Meus Cliques Preferidos

Eu conheci alguns blogs e sites, vídeos também, por curiosidade e outros por pessoas, desde então virou rotina digitar o endereço, se vocês gostarem pode virar rotina de vocês também: 

"Eu só queria um café...": este é o blog do Ruleandson, autor de alguns dos meus textos preferidos, ele escreve muitos textos mesmo.
Depois dos Quinze: é o blog que eu vejo diariamente e admiro. 
Jorge e Alexa Narvaez Covers: sem dúvida esse é o canal do meus covers preferidos, são a dupla descompromissada de pai e filha que conseguiram chegar onde eu tenho certeza que jamais imaginaram.
5incominutos: é o vlog da Kéfera, ela faz vídeos engraçados com situações cotidianas, recomendo.

21.4.12

Meu príncipe encantado

"Acho que ele deveria ser louro, forte e alto. Corajoso e enfrentar tudo e todos para ficar comigo. Criativo e me surpreender batendo na minha janela no meio da noite. Companheiro e estar comigo até nos piores momentos. Fiel e ter olhos só para mim. Compreensivo e entender minhas mudanças de humor. Ser a metade perfeita em mim." Como nos contos de fadas.
Mas meu príncipe encantado é outro, ele erra e pede desculpas, nem sempre esperou por mim ou imaginou finais felizes. Ele já viveu outros amores e talvez sinta falta deles, ele nem sempre ri quando eu rio ou chora quando eu choro. E eu não cobro a presença dele em todos os momentos mais felizes ou tristes da minha vida. Porque ele deveria me ligar, mas não liga e isso só aumenta a vontade de ouvir sua voz. Ele me deixou sozinha quando eu tive medo e isso só me fez amadurecer.
Eu te esperei, olhando a janela no meio da noite, e durante a aula de geografia, em que se torna tão fácil se distrair. Imaginei e te descrevi.

20.4.12

Então eu escrevo...

Nunca me dei bem com as palavras. Sou daquelas que só pensa em algo realmente significativo quando a pessoa já se foi; daquelas que reimagina o dia inteiro antes de dormir e sorri; daquelas que fecha os olhos torcendo para encontrar seu amor num mundo paralelo, ilusório; daquelas que viaja na música e despercebida abre uma brecha para seus sonhos, e lembranças; daquelas que se arrependeu por ter chorado e comido chocolate pensando que a errada era eu; daquelas que já sofreu de amor impossível; daquelas que não sabe  expressar tudo que sente e desabafa, pega folha, pega caneta e rabisca, desenha só não apaga, pois pra ela nesse momento não há mais erros, não há ninguém para julgar ou criticar, nem dar conselhos inúteis...
Então eu escrevo, para expressar o que sinto, para passar o tempo, para não esquecer o que eu pensei ou o que os outros pensaram e naquele momento era o que eu pensava também.
A culpa não é minha, eu sou assim, nunca me dei bem com as palavras.